quinta-feira, 2 de junho de 2016

Indústria mineira exige iniciativa para sair da crise


Em abril a indústria mineira respirou. Pela primeira vez em meses, o faturamento das empresas mineiras foi positivo, fechando com crescimento de 2,7% sobre março, segundo o Index da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O indicador ainda não aponta tendência nem reverte o quadro de forte queda da produção na comparação anual, de -5,9% em abril, mas renova esperanças de que os desafios atuais possam ser superados.
Para a reviravolta, no entanto, representantes da indústria exigem mudanças estruturais no país, conforme afirma o presidente do Conselho de Políticas Econômicas da Fiemg, Lincoln Fernandes.
Este, aliás, é o tom aguardado para as falas dos empresários e dirigentes industriais que participarão, hoje, da comemoração do Dia da Indústria, evento da Fiemg que acontece à noite, no Minascentro. Na solenidade, Bruno Melo Lima, presidente da Metalsider, empresa siderúrgica de Betim, receberá o título de Industrial do Ano 2016. Outros 15 empresários serão homenageados com a Medalha do Mérito Industrial.
Segundo Fernandes, o empresariado tem lutado para sobreviver no cenário degradado. “Mas o efeito prático tem sido quase nulo. Nós estamos na dependência do embate político, que não acaba. (O problema) É o desarranjo político”, afirma o representante da Fiemg.
Como exemplo das necessárias “ações duras”, ele cita as reformas trabalhista e previdenciária, além do corte de gastos do governo. “Só assim haverá espaço para redução de juros”, observa. As concessões de infraestrutura também são citadas por Fernandes como alavanca da indústria mineira.

Mineração

O presidente da J. Mendo Consultoria, empresa especializada em mineração, José Mendo Mizael de Souza, concorda que concessões em infraestrutura são fundamentais para impulsionar a indústria mineira.
“A mineração tem muitos nichos, do ferro ao cimento, e uma grande cadeia produtiva a. É o alicerce da nossa economia”, afirma.
A mineração, aliás, foi responsável por segurar o resultado positivo da indústria mineira em abril. No mês, o faturamento do setor foi 12,7% superior ao registrado em março, segundo a Fiemg. As exportações do setor extrativo mineral também se destacaram no Estado, com alta de 10,6%, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Bebidas

Em abril, o segmento de bebidas foi outro destaque positivo. As indústrias do setor registraram elevação de 8,5% no faturamento segundo o Index da Fiemg.
De acordo com o gerente geral da Mate Couro, Lazio Divino Pinto, a companhia acompanhou o bom momento e investiu em uma grande campanha promocional na primeira semana de maio, com reflexo num crescimento de 5% na receita. “Não aumentamos o lucro, mas a ação fez com que mais pessoas conhecessem nossos produtos”, disse o executivo.

Fonte: Hoje Em Dia

Diretor do DNPM vem a MT debater barragens de mineração; seis tem risco igual a de Mariana

O diretor de Fiscalização da Atividade Minerária do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), geólogo Walter Lins Arcoverde, vem a Mato Grosso para palestrar sobre o controle de barragens de mineração. Mato Grosso possui seis delas em situação de risco igual a barragem do Fundão, em Mariana, que se rompeu em novembro de 2015, no maior desastre ambiental brasileiro e maior do mundo envolvendo esse tipo de situação – clasificação C.
A palestra acontecerá no dia 3 de junho, no Auditório Milton Figueiredo, na Assembleia Legislativa, a partir das 8h, como parte das atividades especiais em comemoração ao dia dos Geólogos. Walter Lins e o responsável pelo setor do DNPM que fiscaliza barragens de mineração em todo o Brasil, assunto que será tema de sua palestra.
Em continuação, entidades do setor irão realizar uma apresentação de uma proposta conjunta de tabela de mínimo profissional para as atividades desenvolvidas por geólogos.No período da tarde ocorrerá a partir das 14h a Audiência Pública sobre a Política Estadual de Geologia e Recursos Minerais no Estado de Mato Grosso. A Audiência debaterá o previsto no Titulo V, Capítulo III, Seção III, artigos 297 a 299 da Constituição do Estado de Mato Grosso.
Mesmo prevista há mais de 25 anos, a política estadual de Geologia e Recursos Minerais nunca foi implementada, e o debate desenvolvido certamente ajudará muito na construção deste importante mecanismo para o Estado. A atividade é organizada pela Associação dos Profissionais Geólogos do Estado de Mato Grosso (AGEMAT), a Associação de Geólogos de Cuiabá (GEOCLUBE) e o Sindicato dos Geólogos do Estado de Mato Grosso (SINGEMAT); e conta com o apoio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA), da Mutua Caixa de Assistência, Faculdade de Geociências da Universidade Federal de Mato Grosso, do Centro Mato-grossense de Estudos Geológicos (CEMATEGE) e da Companhia Mato-grossense de Mineração (METAMAT).

Fonte: Cenario MT

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Audiência discute manutenção de empregos na Samarco, no ES


Uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), em Vitória, nesta terça-feira (31), questionou a mineradora Samarco sobre as ações já realizadas após o desastre ambiental no Rio Doce. O principal foco da reunião foi a manutenção do emprego dos funcionários da empresa.
Assim que a Samarco paralisou as atividades, pelo menos 1,2 mil funcionários foram afastados dos cargos. Eles continuam recebendo os salários, mas não há garantia de que vão voltar ao trabalho. Nesta terça, durante a audiência pública, o representante da mineradora anunciou que assim que as atividades forem retomadas, pelo menos 40% dos funcionários serão demitidos.
“Os empregados que serão desligados não são aqueles que estão de lay-off. A empresa vai se organizar para retomar sua operação com 60%, e então pessoas que estão no lay-off podem ser chamadas e pessoas que estão hoje fora do lay-off podem ser desligadas. Essa definição não está feita ainda”, explicou o gerente geral de Estratégia da Samarco, Alexandre Souto.
  O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito Santo, Roberto Pereira, acredita que não há a necessidade de demissões. “Existe espaço sim. Mesmo retornando com 60% das atividades, dá para permanecer com o quadro de 1,2 mil trabalhadores. Hoje a empresa não tem mais os terceirizados, não tem motivo para a empresa tomar essa decisão e desligar todos os trabalhadores. Nós temos certeza de que a empresa tem condições para manter os empregos”, falou.
O superintendente do Ministério do Trabalho no Espírito Santo disse que o órgão está mantendo o diálogo para tentar preservar os empregos. “O que a gente vai tentar negociar e avaliar são as possibilidades para que essas demissões sejam evitadas”, disse Alcimar Candêias.
O deputado estadual Nunes foi quem propôs a audiência. Ele disse que já conseguiu uma reunião com os deputados de Minas Gerais para esta quarta feira (1), para unir forças contra as possíveis demissões.
“A ideia é fazer uma Mesa Nacional, com os trabalhadores e a empresa, com o Ministério do Trabalho, para encontrar um formato para garantir esses postos de trabalho e ao mesmo tempo a retomada das atividades da empresa, tanto em Minas Gerais quanto no Espírito Santo”, falou o deputado.

Ações

Durante a reunião, a Samarco apresentou algumas ações que estão sendo feitas pela empresa. “A gente vem, desde o dia 5, fazendo todas as ações emergenciais. Independentemente da criação da fundação, tudo aquilo que foi acordado está sendo honrado por nós e também as expectativas do que a gente se compromete para o futuro”, explicou o gerente Alexandre Souto.
Mas para alguns deputados, o que vem sendo feito pela mineradora ainda é pouco se comparado ao prejuízo gerado pelo desastre ambiental.
“Já se passaram seis meses e até agora nós não vimos nada efetivamente sendo feito por parte da empresa. Não vemos uma dragagem, um desassoriamento, não tiraram a lama que está nas barragens. A gente precisa desses atos da empresa para que vejamos um comprometimento com a sociedade civil”, falou o deputado Rafael Favatto, da Comissão de Meio Ambiente da Ales.

Ministério Público Federal

O Ministério Público Federal recorreu na Justiça da decisão que criou um fundo de R$ 20 bilhões para a recuperação do Rio Doce. Para o Ministério Público, o acordo não garante a reparação integral dos danos e não contou com a participação do atingidos pelo rompimento da baragem da Samarco. Já a mineradora informou que vai continuar cumprindo com as ações estabelecidas pelo acordo.

Fonte: Exame

Cemig e Vale terão que comprar energia


A elétrica Cemig e a mineradora Vale terão que comprar energia para compensar a paralisação da hidrelétrica de Candonga, que não produz desde novembro, quando foi tomada por lama na sequência do rompimento de barragem da Samarco no Rio Doce, em Minas Gerais, decidiu o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino.
A compra da energia deverá ser realizada para atender a contratos da hidrelétrica com seus clientes. Em despacho no Diário Oficial desta terça-feira, o diretor negou pedido das empresas para suspender decisão da Aneel que declarou no início de maio que a usina está sem condições para operar comercialmente. ”Essa decisão independe de culpa ou dolo do proprietário, mas retrata a condição de inoperância da usina… não há dúvida de que a determinação… faz com que a usina… deixe de servir de lastro para o atendimento de compromissos comerciais do Consórcio Candonga”, afirmou Rufino.
Segundo relatório visto pela Reuters em janeiro, a usina recebeu 9,1 milhões de metros cúbicos de rejeitos e lama após o rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, uma mineradora que tem como sócias a própria Vale e a BHP Billiton. Cemig e Vale disseram à Aneel que, mesmo que não houvesse a lama no reservatório, a retomada da geração na usina está proibida por decisão judicial.
A decisão, em ação civil pública, define que a usina deverá ficar vazia para comportar eventual fluxo de rejeitos no caso de novo rompimento de barragem no Rio Doce; a decisão é válida por período de seis meses após a recomposição do nível de segurança em Fundão. Não ficou claro na decisão os valores que terão de ser desembolsados para a compra de energia.

Sem ajuda

Pelas regras do setor elétrico, existe um mecanismo de compartilhamento de riscos entre as hidrelétricas que permite que a menor produção ou indisponibilidade temporária de uma usina sejam compensadas pela geração das demais, em uma espécie de condomínio, chamado de MRE. Quando uma usina tem a operação comercial oficialmente suspensa, ela deixa de receber energia desse condomínio e precisa comprar contratos ou energia no mercado de curto prazo para compensar o que não entregou.
Segundo Rufino, a declaração da suspensão da operação de Candonga evitará que o problema na usina gere perdas às demais hidrelétricas do país. ”As consequências comerciais de tal indisponibilidade não podem ser debitadas de terceiros, como os participantes do MRE, mas sim cobradas de quem a causou”, afirmou o diretor da Aneel em sua decisão.

Fonte: Exame

Vale mudou dados de barragem para dificultar investigações

A mineradora Vale adulterou os dados sobre o volume de lama que era depositada na barragem de Fundão. Em novembro de 2015, a barragem rompeu em Mariana (MG) e deixou 19 pessoas mortas na comunidade de Bento Rodrigues, que foi devastada pelos dejetos. A Vale, junto com a BHP Billiton, é uma das controladoras da Samarco, responsável pela estrutura.
Em relatório da Polícia Federal obtido pela Folha, a empresa mudou os documentos para confundir as investigacões do crime. Com a mineração, a Vale gerava dois tipos de rejeitos: a lama, que era depositada na Samarco, e estruturas arenosas, que ia para o depósito de Campo Grande.
Em dezembro de 2015, um mês depois do rompimento, a Vale modificou informações sobre o teor de concentração do minério que era produzido em Mariana. Com essa falsificação, o volume total de lama em Fundão – a barragem que rompeu – ficou menor do que o valor informado inicialmente pela empresa.
A empresa alterou, segundo o informe da PF, os últimos cinco RALs (Relatórios Anuais de Lavra) que havia enviado ao DNPM (DepartamentoNacional de Produção Mineral), órgão da União. No entanto, os dados sobre minérios foram preservados.
Segundo a Polícia Federal, havia uma elevada quantidade de água nos rejeitos, o que pode ser considerado como uma das causas da ruptura. Em resposta à Folha, a Vale admite as alterações, mas diz que foram apenas correções e que manteve a transparência nas apurações. Mas, segundo a polícia, o objetivo das mudanças era “iludir as autoridades fiscalizadoras”.
“Tal fato [adulteração] tem ocorrido para que a Vale se exima de suas responsabilidades com relação aos rejeitos depositados pela mesma na referida barragem [Fundão]“, avalia a PF.

Fonte: Exame