sábado, 12 de dezembro de 2015

Vale não se considera responsável pelo desastre em Mariana



A Vale que, juntamente com a anglo-australiana BHP Billinton, é proprietária da mineradora Samarco, afirmou em nota divulgada na noite desta quinta-feira que “não se considera responsável pelo acidente”, sustentando que a transferência de rejeitos para a Barragem do Fundão foi gerenciada pela Samarco. A gigante da mineração também classificou como “precipitadas” as manifestações do Ministério Público em momento em que as causas do desastre ainda precisam ser esclarecidas.
No comunicado, a Vale disse que “nunca deixou de contribuir, ser transparente e prestar auxílio para minimizar as consequências do evento, tanto que apoiou desde o início a conta e garantia de R$1 bilhão, formalizada pelo termo de compromisso celebrado com MPF e MPMG, com o objetivo de remediar efeitos socioambientais (do desastre)”. A nota critica ainda o bloqueio judicial de mais R$ 300 milhões da Samarco, alegando que ele impede a mineradora de cumprir suas obrigações. E acrescenta que “exaurir todos os recursos da Samarco” só vai comprometer empregos, arrecadação de impostos e geração de divisas.
Na tarde desta quinta-feira, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entregou uma ação civil pública à Justiça de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, cobrando ações de assistência da Samarco, responsável pela barragem de Fundão, da Vale e da BHP Billinton. O recurso cobra verba mensal, moradia adequada até 24 de dezembro e assistência para resgate de bens aos atingidos pela tragédia de 5 de novembro deste ano. Ao todo, o promotor Guilherme de Sá Meneghim vai ajuizar pelo menos 11 cláusulas a favor dos moradores das comunidades destruídas pela lama de rejeitos.
A inclusão da Vale e a BHP Billinton na ação, que atinge também a Samarco, é por causa da atuação das empresas na cidade. “As três empresas estão presentes porque a Vale e a Samarco jogavam os rejeitos na represa. Por isso, são diretamente responsáveis (pela tragédia). A BHP foi incluída por ter aferido lucros exorbitantes por causa destas atividades minerária da Samarco, devido a isso, deve responder pelos estragos causados”, explicou o promotor.

Fonte: EM

Tecnologia transforma resíduos industriais em minerais valiosos



Uma nova tecnologia de processamento da matéria-prima residual jogada fora durante a extração do granito permite obter minerais pesados ​​valiosos, como magnetita, ilmenita, rutilo e zircão, além de reduzir a liberação de resíduos que poluem o meio ambiente.
O valor do produto final ultrapassa em várias vezes o preço do próprio granito. A título de comparação, o mais valioso deles, o zircão é vendido no mercado mundial por US$ 3.000, enquanto o preço do granito esmagado é de apenas US$ 20 por tonelada.
“Essa tecnologia não só cria valor agregado na indústria transformadora, como permite passar para um novo nível de rentabilidade”, diz o autor do projeto, Dmítri Chevtsov, doutorando na faculdade de Geologia da Universidade Estatal de Voronej (VGU, na sigla russa).
Além disso, segundo o geólogo, só na região de Voronej, o grupo de mineração Pavlovski já produziu 30 milhões de toneladas de resíduos com a extração de granito. “Esse material residual cresce 1 milhão de toneladas por ano, intensificando a poluição do meio ambiente”, acrescenta.
Os resíduos menores são levados pelo vento, formando nuvens de poeira prejudiciais para a atmosfera. Também se infiltram na terra e chegam aos lençóis freáticos, contaminando a água.
Tamanho X lucro
Os geólogos da VGU estudaram a composição mineral dos resíduos e, com base nessa análise, desenvolveram uma tecnologia inovadora de tratamento do material que era tradicionalmente descartado.
A nova tecnologia se baseia na divisão de resíduos graníticos em três categorias, conforme o seu tamanho: partículas maiores (entre 5 a 2,5 mm), médias (de 2,5 a 0,2 mm) e pequenas (inferiores a 0,2 mm).
“As duas primeiras categorias podem ser adicionadas ao revestimento do asfalto e também usadas na fabricação de produtos de concreto armado”, diz Chevtsov. Porém, segundo o cientista, ambas não trazem grandes lucros.
O principal interesse comercial para a indústria está no processamento da terceira categoria, durante o qual são obtidos minerais valiosos usados em qualquer produção de alta tecnologia.
“O zircão é necessário na indústria nuclear, sem ele não se consegue lançar o átomo pacífico. Mas ele tem aplicação também em outras áreas mais cotidianas, como, por exemplo, na fabricação de esmaltes de alta qualidade para revestimentos”, diz o reitor da faculdade de Geologia da VGU, Viktor Nenakhov.

Fonte: Gazeta Russa

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Vale não depositou rejeitos acima da capacidade da Barragem de Campo Grande



A Vale informa que o volume de rejeitos que era depositado na Barragem de Campo Grande, em Minas Gerais, encontra-se em conformidade com o projeto e dentro do volume total licenciado para a barragem. Conforme documento do Plano de Ação Emergencial de Barragem da Mineração (PAEBM) (acesse aqui o documento), protocolado junto aos órgãos competentes, sua capacidade de projeto é de 23,5 Mm3 e o volume atual é de 19,59 Mm3. Ou seja, a barragem não está saturada.
Esclarecemos que, em 2014, a Vale enviou para a Samarco a quantidade de 1.005.581 toneladas de rejeitos provenientes da Mina de Alegria. Esta quantidade representa exatamente 4,4722% do volume total depositado na Barragem de Fundão entre janeiro de 2014 e dezembro de 2014. Veja aqui a Nota de Débito Financeira da Samarco.
A atividade de transferência de rejeitos para a Samarco está licenciada desde 1994 pela Licença de Operação Corretiva da Mina de Alegria, processo COPAM No 182/87/03/94. Esta licença foi submetida a revalidações sucessivas, conforme previsto na legislação ambiental vigente em Minas Gerais. A licença é emitida pelo COPAM (Conselho Estadual de Política Ambiental do Estado de Minas Gerais). Nessa licença ambiental, está previsto que a Vale poderia dispor a lama em novas estruturas da Samarco que viessem a ser construídas. A responsabilidade pelo licenciamento para a disposição do rejeito na Barragem de Fundão é da Samarco.

Fonte: Vale

Barragens de mineração em São Paulo terão novas regras



As 21 barragens de rejeitos de mineração localizadas no Estado de São Paulo deverão ter, a partir de fevereiro, de seguir novas recomendações que começaram a ser traçadas na quarta-feira (9) por um grupo de trabalho da Secretaria de Estado de Energia e Minas, lançado em parceria com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
As recomendações incluirão a adequação das estruturas, adoção de novas tecnologias e a mitigação de riscos conforme as leis vigentes. Embora tenha sido lançado após o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, que destruiu três distritos, provocou a morte de 15 pessoas e o desaparecimento de outras quatro, a secretaria afirma que a elaboração do grupo já vinha sendo estudada.
Em nota, a pasta diz que, “além de verificar a situação atual das barragens e seus riscos, esse grupo vai olhar para o futuro e sugerir inovações”.
De acordo com o subsecretário estadual de Mineração, José Jaime Sznelwar, nenhuma estrutura do tipo tem risco de rompimento no Estado.
O governo estadual não tem autonomia para conceder outorgas para a exploração de minas, uma vez que essa competência é federal. Mas cada Estado cria a regulamentação ambiental das atividades, com a emissão de licenças. Já os municípios são encarregados de autorizar o exercício da atividade. Dessa forma, o grupo de trabalho estadual pretende sugerir mudanças nos sistemas de fiscalização dos órgãos federais e municipais, ainda de acordo com nota da secretaria.
A Fiesp foi procurada, mas não deu detalhes adicionais sobre a proposta. O grupo de trabalho terá integrantes do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), da Defesa Civil, da Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), do Instituto Geológico, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres no Estado de São Paulo (Ceped), da Universidade de São Paulo (USP).
Estrutura
Das 21 barragens do Estado, quatro ficam em Cajati, no Vale do Ribeira. A capital paulista tem duas. Uma delas é de granito para brita. A outra não teve o material informado pela secretaria. Somadas, as barragens têm um volume de 32,9 milhões de metros cúbicos de rejeitos – pouco mais da metade dos 62 milhões de metros cúbicos que vazaram da barragem de Mariana, segundo informações da Samarco. O Estado tem 2.800 minas em operação e é o terceiro que mais extrai minérios no País. (Colaborou Mateus Fagundes). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Hoje Em Dia

Minas Rio é símbolo do que deu errado para Anglo American



Mesmo para uma empresa que chegou a ter o monopólio global da produção de diamantes durante quase um século de expansão praticamente constante, o colapso dos preços das commodities está sendo duro demais.
A Anglo American, um conglomerado que abrange os setores de cerveja, publicações e exploração de ouro e que viveu seu auge no início dos anos 1990, vai encolher até ficar irreconhecível depois que o CEO Mark Cutifani anunciou na terça-feira um pacote de vendas de ativos, fechamentos de minas e cortes de postos de trabalho.
Entre as possíveis vítimas está a Minas Rio, uma mina brasileira de minério de ferro que, com custos crescentes e o colapso dos preços, transformaram um projeto de US$ 14 bilhões no símbolo da situação da empresa.
“A Minas Rio é a maior marca dos equívocos deles”, disse Jeremy Wrathall, chefe de recursos naturais globais da Investec. “Houve uma série de erros estratégicos, a loucura coletiva do superciclo que todos entenderam errado”.
Assim como os bancos antes da crise financeira ou as empresas do setor de energia antes do colapso dos preços do petróleo, a Anglo American é a clássica história dos exageros cometidos durante os bons momentos que resultam em uma situação de excesso de dívida e pouco dinheiro quando o mercado despenca.
85.000 empregos
Eventualmente, a Anglo American empregará 50.000 pessoas, 85.000 a menos que agora, disse Cutifani. A empresa vai controlar um máximo de 25 ativos, menos que os 55 de hoje. Todas as minas deficitárias serão colocadas à venda ou simplesmente fechadas.
Contudo, bancos como o HSBC disseram que até mesmo esses cortes drásticos podem não ser suficientes se os preços das commodities continuarem fracos. As ações da Anglo caíram 14 por cento na quarta-feira para uma mínima recorde em Londres. Os papéis caíram 73 por cento em Londres neste ano superando a Glencore como o de pior desempenho do índice FTSE 100.
O anúncio surge depois de a Lonmin, outra empresa de mineração com sede no Reino Unido focada na África, ter sido forçada no mês passado a recorrer aos acionistas para evitar um colapso. Seu leque de negócios englobava exploração de ouro, hotéis, têxteis e jornais nos anos 1980.
Os ativos da Anglo American “precisam fazer dinheiro ao longo do ciclo”, disse Cutifani, 57, australiano que ocupa o cargo mais elevado da empresa desde 2013, a investidores na terça-feira. “Do contrário, eles não estarão no portfólio. Simples assim”.
No auge financeiro da empresa, em 2007, quando os preços da platina e do níquel ficaram próximos de níveis recorde, o lucro anual foi de US$ 7,3 bilhões e o valor de mercado da companhia superava US$ 80 bilhões. Os analistas projetaram que a Anglo American perderá US$ 2,8 bilhões neste ano; Cutifani disse a acionistas que não haverá dividendos até 2017, pelo menos. A empresa atualmente tem um valor de mercado de US$ 6,3 bilhões e um total de US$ 11,9 bilhões em dívidas.
“Esse parece ser o primeiro sinal de rendição, talvez, no setor de mineração”, disse Paul Gait, analista da Sanford C. Bernstein em Londres, à Bloomberg TV. “A Anglo costumava ser esse grande e diversificado conglomerado sul-africano. Agora, está vendendo 60 por cento de seus ativos”.
Fundada em 1917 pelo empreendedor e filantropo Ernest Oppenheimer, a Anglo American foi construída com base nas gigantescas minas de ouro da África do Sul. Ao mudar para o ramo de diamantes com o controle da De Beers, depois que Oppenheimer foi eleito para o conselho, em 1926, e depois adicionar operações de platina e carvão, a Anglo se tornou rica e poderosa durante boa parte do século 20.
Sob o comando do filho de Ernest, Harry, a empresa ampliou seus horizontes. Comprou a Hudson Bay Mining no Canadá em 1961 e iniciou uma expansão para os setores de siderurgia, madeira e celulose e, posteriormente, de cobre na América do Sul.
Mais recentemente, a empresa buscou uma expansão para o setor de minério de ferro para se juntar às empresas que estavam alimentando a necessidade insaciável da China por aço.
A Minas Rio foi concebida pelo antecessor de Cutifani durante essa temporada altista. A compra do projeto custou US$ 5,1 bilhões e a construção, mais US$ 9 bilhões. O preço do minério de ferro, juntamente com os preços do carvão, do diamante, do ouro e da maior parte das extrações, então, despencou.

Fonte: Exame